Suplementos antioxidantes e cancro

O papel dos antioxidantes é proteger as células saudáveis do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres, moléculas altamente instáveis e, quando presentes em excesso no organismo, oxidam células saudáveis como proteínas lípidos e DNA, podendo desencadear danos celulares e serem responsáveis pelo desenvolvimento de doenças oncológicas assim como outras doenças crónicas. É extremamente importante manter um equilíbrio entre os níveis de antioxidantes e radicais livres no nosso organismo de forma a evitar situações de stress oxidativo (excesso de radicais livres).

O papel dos antioxidantes na prevenção de doenças crónicas e degenerativas é essencial e está muito bem documentado, inúmeros estudos demonstram a sua capacidade quer na redução do stress oxidativo, quer na reparação de danos já causados pelos radicais livres.

Estudos laboratoriais mostram ainda que os antioxidantes atuam em vários momentos da progressão da doença oncológica:

Os antioxidantes assumem assim um papel promissor como terapia coadjuvante no tratamento oncológico, o que levou a um aumento da procura de suplementos antioxidantes por parte dos doentes oncológicos. No entanto este é um tema bastante controverso na comunidade científica, sendo extremamente necessário ter em conta qual o tipo de antioxidantes mais adequado, a via de ingestão de antioxidantes (alimentação, ervas medicinais ou suplementos) e a dose ingerida.

PORQUÊ TANTA CONTORVERSA?

A controvérsia prende-se principalmente com a questão da SUPLEMENTAÇÃO. Por um lado existem vários estudos que mostram que o uso de suplementos com antioxidantes pode aumentar a mortalidade, aumentar o risco de determinados cancros, e diminuir o efeito de alguns tratamentos de quimioterapia e radioterapia, levando as grandes organizações e instituições de renome como a American Cancer Society e a World Cancer Research Fund a não recomendar o uso de suplementos antioxidantes. Por outro lado muitos outros estudos mostram que a ingestão de antioxidantes podem melhorar a resposta aos tratamentos convencionais, diminuir os seus efeitos secundários, e aumentar a sobrevida geral dos pacientes.

Um artigo de revisão muito recente sobre este tema refere que esta discrepância nos resultados é consequência principalmente da falta de padronização entre os vários estudos no que diz respeito às formulações dos antioxidantes (polivitamínicos ou uma só substância isolada) e relativamente às doses utilizadas. Os estudos com doses mais elevadas e com substâncias isoladas parecem estar mais associados a resultados negativos. Será necessária mais investigação nesta área, e um maior foco em encontrar doses seguras e eficazes para as diferentes patologias.  É muito importante procurar o médico ou nutricionista que, de forma informada, poderá indicar se no seu caso é vantajoso ou prejudicial complementar a terapia oncológica com suplementação antioxidante, e quais as doses indicadas.

No entanto é importante ressalvar que toda a controvérsia se prende apenas com o uso de SUPLEMENTOS DE ANTIOXIDANTES, e não no consumo de antioxidantes através da alimentação e especiarias!

O aumento do consumo alimentos ricos em antioxidantes em doentes oncológicos é uma recomendação consensual pela maioria das instituições e organizações de saúde internacionais como a OMS.

No próximo artigo iremos falar mais de fontes alimentares de antioxidantes e como aumentar e optimizar a sua ingestão. Até breve!

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